persona non grata



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Terça-feira, Maio 19, 2009

Escorro cada vez mais por entre os meus próprios dedos.
Antes, eu julgava inocentemente que o escrever-me prenderia em mim o que eu mesmo não faço por não ter coragem ou viço para tanto.

Hoje eu desespero.
Não tenho sequer uma caneta, um pedaço de papel, qualquer nesga de suporte que oriente o que já é insustentável;
cansei de procurar nos quartos, nas casas em que estive, nos livros que eu li quando ainda não imaginava que não me teria mais por mim.
Os outros, esses já não mais encaro -
Tenho medo só de conceber que alguém saiba o que não tenho a menor vontade de admitir.

De tudo em pouco que me sobra, sorvo somente à mostra;
Guardo todo o resto para o depois do fim.


Escrito por George de Lucena à(s) 3:02 AM - Manifeste-se:

Estou migrando aos poucos para o blogspot. Abandonarei a blogger.com.br, que parou no tempo e nem uma ferramenta de exportação me oferece.

O endereço será o http://georgelucena.blogspot.com/

Começa aqui o fim deste que me acompanhou por 06 anos.


Escrito por George de Lucena à(s) 3:01 AM - Manifeste-se:
Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

Faz do acordar a resistência diária não contra o que não quer ser, mas contra as próprias constatações de que já está sendo. Daí que se nega a dormir. Evita em cada música, em cada cigarro, em cada programa enfadonho da televisão obstinada a inevitável rendição à incapacidade de mudar.
Quando lhe perguntam o que é, responde, ridiculamente, o que será.
A insônia não é dos que naturalmente sofrem, mas dos que escolhem sofrer por não deixar de se entregar.
Um dia, quem sabe, deixará de querer ser.


Escrito por George de Lucena à(s) 2:09 AM - Manifeste-se:
Sexta-feira, Outubro 10, 2008

Era só gritarem o almoço que eles apareciam saracoteando cozinha adentro. Vinham da terra onde quer que a encontrassem, na rua, no quintal, no jardim já destruído pelo chafurdo cotidiano das manhãs de janeiro. Chegavam sonsos aqueles olhinhos, trazendo consigo a beleza que não admite reprimendas e que tudo se permite.

Tanta meninice me emocionava. Na verdade, nunca fui tão bobo em minha vida, ora invocado pelo abraço que a danada rejeitava só para me passar raiva, ora encantado pela bagunça que aqueles olhos, nuinhos, faziam no peito da gente.

Um dia parece que saíram para um passeio à tarde que demorou a mais porque o dia inventou de escurecer mais cedo.

Quando janeiro acabou, eles já não eram mais meus.

Até hoje os espero, remordido. Embriagado com a saudade e com a lembrança do tempo bom, nem percebi quando aqueles olhos manhosos levaram a minha menina buliçosa que nunca mais voltou.


Escrito por George de Lucena à(s) 1:36 AM - Manifeste-se:
Sexta-feira, Outubro 03, 2008

Inda ontem eu chorei, lembra?
Rabiscava em linhas tenras o amor que iria vir.

Ali, eu cismava de tão sentir o que então era encanto,
E rezava, que é para tudo durar só mais um pouco.

Hoje eu choro a saudade perdida.

Perdida das horas de conversa escondida embaixo do lençol para o sono não ver,
Perdida do mundo que você me soletrou pacientemente para eu não esquecer,
Perdida do menino que cresceu e por achar que não cabia mais em si, também se perdeu.

Fui só eu que escolhi.
Haverá como se tentar de novo?
Temos tanto por fazer, a casa para arrumar, a pia para consertar, tanto corpo para ceder.

Inda ontem eu sonhava, disso eu lembro.
E do mais? Será que já esqueci?


Escrito por George de Lucena à(s) 12:56 AM - Manifeste-se:
Sábado, Abril 19, 2008

A vida vai voltar a ser o que era. Eu me esforço para acreditar nisso, nesse pensamento que, de futuro, transformou-se na minha única esperança de felicidade.

Só quero a mim de volta. Quero voltar ao tempo em que sonhar com o passado não me emocionava, de imerso que estava em descobrir, ou em me enganar, que ainda havia tanto pela frente. Quero de volta as minhas crenças, as minhas ilusões, a minha sensibilidade lúdica que se esvaiu tão rapidamente, sem permitir que eu, ao menos, contemplasse o mar com olhos despreocupados pela última vez.

(...)

Hoje a tarde foi um pouco mais longa. Tive certeza, em vários momentos, que não agüentaria tanta espera. Foi a primeira vez em que pensei em desistir.


Escrito por George de Lucena à(s) 6:58 PM - Manifeste-se:
Sexta-feira, Novembro 30, 2007

Deixo para trás a última saudade não sentida. Todas as outras levo comigo.

Trago o peso da culpa e das coisas que carregam os carregados à morte. Sofro com a lágrima que vai derramar quando eu sumir com o meu rosto, e me arrependo por estorvar a última noite que poderia ter comigo e não terá.

(ao menos vou certo de que nunca me esquecerei no frio que o tanto sempre me causou)

De lá remeterei as minhas lembranças, que andam partindo a uma velocidade que não consigo mais acompanhar. Mandaria despachar até a goiabeira, se ela não tivesse caído junto com todo o resto quando o asfalto chegou.

Amanhã, finalmente gozarei a vida que acabou ao começar.


Escrito por George de Lucena à(s) 1:46 AM - Manifeste-se:
Sexta-feira, Julho 06, 2007

A melodia começara baixinho. Meus pés ensapatados, desacostumados ao movimento, ensaiavam um sapateio descompassado, mesmo que eu não me desse por isso.

E sem que eu me desse por isso, o som contagiava-me em seu ritmo por vezes delirante, por vezes lôbrego, mas sempre presente, como uma sinfonia que, tomada de embriaguez, estendia-se até nunca, atrapalhando a ópera apoteótica que eu, inocente, insistia em aguardar.

Na terceira ária não cantada, dancei.

A cidade, surpreendida, abriu espaço, fazendo-se de palco. Logo eu, que nunca dei ouvidos ao que se cantava por ai; eu me embalava, à espera de aplausos, dançando - finalmente - a música do mundo.


Escrito por George de Lucena à(s) 1:13 AM - Manifeste-se:
Terça-feira, Maio 08, 2007

Esta noite, quando eu já dormitava, ele me assaltou.

Chegara madrugada alta:

"Calça os teus sapatos que hoje é dia de festa!
Quero a goma mais lustrosa no cabelo e
O perfume mais doce no tecido.
Quero a pura alegria de janeiro"

Sonolento, eu chorava, surpreendido.

"Não falei que voltaria quando me tivesse por sumido?"

Entreguei-lhe tudo o que tinha,
Com exceção dos sapatos, da goma e do perfume.
A cada carta, a cada fotografia, a cada lembrança dobrada, eu lia em seus olhos o regozijo soberbo e silencioso de quem se descobria importante - dir-se-ia indispensável.

"Tenho cá comigo teus uniformes,
Tenho teus livros e teus amores.
Tenho o tempo frouxo e o brincar bobo que não marca hora pra acabar"

E eu me via mais nele que em mim,
Desesperado por não achar a alegria,
Perdida que estava no meio do mofo e da poeira que o tanto mexer nas gavetas levantou.

Partiu levando-me o muito que não deixou.
Tentei agarrar-lhe as pernas, mas se esquivara com o primeiro toque para o recreio.

Restei sem minha brisa (e sem a sesta preguiçosa), sem meus cachorros, sem minha acácia velha que descascava a cada subida...

De que adiantava tanto alvoroço?

Da festa maior eu já não mais posso participar.


Escrito por George de Lucena à(s) 10:36 PM - Manifeste-se:
Sábado, Março 24, 2007

Saibam que a ânsia que sinto ao ver os sorrisos estampados nas propagandas é a de quem espera a vida inteira pela fotografia mais bela. Sei que tudo são porta-retratos de uma existência estática, capturada por imagens instantâneas e lá aprisionada por todo o tempo que durar a tinta.

(Não sei ainda, por outro lado, a quem serve o prazer não compartilhado: a embriaguez solitária é tragédia, a punheta é doença, o cigarro é o vício e o ócio, a degeneração. Não sei a quem serve o tempo apressado, o momento engolido, o futuro empacotado em carta registrada para não se perder no caminho. Não sei, enfim, o que comprarei com o dinheiro que terei aos quarenta, mas me esforço, todo dia, para entender que nisso residirá minha felicidade)

Os velhos, por si, sorriem com as caras mais carrancudas do mundo, porque o riso há tempos perdeu-se nos primeiros quadros. Eles já perceberam para quem se vive. Eu, por mim, tento, cada vez mais, não me convencer.


Escrito por George de Lucena à(s) 12:47 AM - Manifeste-se:
Quinta-feira, Março 01, 2007

Quanto da espera é estupidez;
Quanto me embriaguei na altivez de tanto encanto,
Aguardando acalantos nunca embalados,
Tragando pinturas em quadros, desenhadas para um outro, que não eu.

Quanto da palavra foi desperdiçada;
Quanto me cativei do sorriso sonso, de tão manhoso,
Sufocando o descontentamento mudo,
Ludibriando em ilusões vermelhas, aspergidas displiscentemente, certo em mim, que não creio em Deus.

Quanto da perda foi insistência;
Quanto do desgosto foi só meu capricho,
Alteando fogueteios pálidos,
Trepidando flâmulas fendidas, esgarças: homenagem caduca a uma inquietação mais do que moça.

Ora me perco nas horas,
E quanto das horas perdi em revelar-me,
Como quem espera, mais do que só, o remorso de tanta obstinação?



Escrito por George de Lucena à(s) 5:13 AM - Manifeste-se:
Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

Bem que - sim! - podias ter falado menos,
E usado a magia pra acalmar o sereno que me faz gripar.

Hoje eu que deito pra esperar o mundo.
Hoje eu que falo tanto absurdo, pra te conquistar.

Sonho o sonho bobo com tuas mãos ao peito,
Quero o envergonhar-me, ao acordar sem jeito,
E ouvir aquela voz, quando se esgueira, dizer:
"Vem fazer meu carnaval"

Mas quanto da folia foi só desconcerto, logo cedo.



Escrito por George de Lucena à(s) 1:32 AM - Manifeste-se:
Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Aquele sim tinha nome. Nome, sobrenome e uma necessidade sufocante de fugir de casa, necessidade que crescia no tanto que uma modorra braba, daquelas de deixar o cabelo cheirando a mofo, atacava-lhe os pés.

Passava pouco das três. Augusto Mancini saíra de casa do jeito mesmo que estava, gafo e todo acabrunhado, dizendo que ia fumar cigarro, embora se tenha por certo que o que queria mesmo era auto-impingir-se um feitio noir, mesmo às três da tarde e mesmo numa cidade tão cinza e sem contraste quanto São Paulo.

Caminhara pouco, não mais do que vinte metros, quando constatou que vivenciava um daqueles momentos da vida a que se pode realmente chamar de momento. Imediatamente, Augusto tratou de tentar resgatar todas as suas reflexões pensadas ou ouvidas que, de alguma forma, versavam sobre a plasticidade da realidade, a insustentabilidade da existência e a transitoriedade do sensível.

Tentou, mas o tempo fora insuficiente, como precisamente ocorre com todo o mais.

A lotação, que passava à rua e cenariava para o seu filosofar vespertino, sumiu sem fazer qualquer alarde, do mesmo jeito que fazia quando, já cheia, mudava de rota para evitar o caos urbano das seis. A mesma coisa se deu com uma senhorinha, simpática até, que por aquelas bandas passeava (isso é tudo o que dela se soube).

Já Augusto Mancini, aquele sim tinha nome e sobrenome que não permitiriam o seu sumiço. Augusto havia caminhado não mais do que vinte metros quando a rua abriu-se à sua frente, de certa forma convidativa, insinuando que, ao fundo, havia mais segredos e mais mistérios do que o que aquela concretada toda permitia antever. Um convite para poucos.

No instante em que penetrava os intestinos da cidade barulhenta, inevitavelmente projetava a sua memória para idos tempos onde se podia, com solidez, brincar despreocupado à margem do rio, lembrança caduca já pelo rio, que dirá de suas várzeas firmes.

E depois?

Depois mais nada. Mesmo em São Paulo, o nada faz barulho de silêncio.




Escrito por George de Lucena à(s) 11:01 PM - Manifeste-se:
Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

Certa noite, uma prostituta do Lido chora; chora de jeito que nem é tanto choro em vão: canta o pranto daquela puta que, de seu, só o choro pode ser canção.

A puta sonha; sonha de jeito que sua mão frouxa leva o cigarro ao chão: tanto do seu sonho corre alto, mas seu cigarro, queimando leso, diz-lhe que não!

Certa noite, essa prostituta do Lido, horrorizada, deu para gritar, e só gritar.

Gritava, mas era uma coisa que ninguém acodia, que ninguém se ajuntava, que ninguém virava a cara nem muito menos comentava o seu horror. Vai ver achava-se que, por esses mercados, mesmo a compaixão tem de ser cobrada.

Uma criança até brincava na praça, e o cigarro da puta, naquela noite, consumia, indolentemente, mais um trago de ilusão.


Escrito por George de Lucena à(s) 2:30 AM - Manifeste-se:
Segunda-feira, Dezembro 25, 2006

Na noite de ontem, o céu esbranquiçou,
E as igrejas badalaram os sinos das duas às quatro da manhã.
Um menino, na rua de cima, correu pelado, antes que o céu se apagasse, mesmo com toda a friagem e com todo o sereno.

Na noite de ontem, os cachorros miaram,
E as moças, que eram moças, todas perfumadas saíram atrás de homem.
Diz que um carro, que corria apressado, parou, como quem olhava para o mar.

O dono de uma bodega entoou uma oração,
E a música rancheira descambou no trance pesado.
A mulher do vizinho, senhora séria, gozou pela primeira vez - a vizinhança inteira ouviu seu orgasmo menárquico.
(As vacas até resolveriam fugir por aí,
Mas é que, mesmo na noite de ontem, os capins eram mais capins do que nunca)

Disso tudo se sabe porque o povo contou.

Já eu,
eu dormia, ao seu resbunar,
Num sonho bem sonho,
E numa noite bem ontem dali.


Escrito por George de Lucena à(s) 7:02 AM - Manifeste-se:
Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Ô, menina danada do vestido sujo! Ora retorno...

Cheguei pelos traçados desguedelhados
Que desenhaste com giz e que o tempo mal borrou.
Cheguei pela amarelinha de céu que nunca chega:
Tantas pedras colocaste em teu caminho!

Vim por teu abraço enfulijado,
E pelas turbamultas de teus laços em fita.
Vim por teu sorriso desmaiado,
Pelo teu viço morno, teu contentamento frouxo, tua tristeza em mar.

Encontrei-te quietinha, minha menina já velha.

Lembras de mim?
Eu sou aquele que te deixou, no dia em que tentaste me abraçar.


Escrito por George de Lucena à(s) 10:43 PM - Manifeste-se:

Chega de fusões confusas!
Eis aqui meu alarido enfastiado:
Minha toalha de juta largada, suja, escarnecida, jogada junto ao ofego rouco de tanto gritar por atenção.

Agora torço por um esperar por vir e por aquele enjôo bom que enrota o lençol numa noite de sonho sem sono.

Quero dos mais limpos o canto
e quero a seda quente do calor de um só corpo.

Quero uma saudade sem tesão.

Quero querer um castelo, para escrever sobre ele e falar sobre ele e beber sobre ele e dormir sobre ele, de tão cansado! (mas não do castelo - é que, no castelo, levar-me-ão numa garupa para tomar dos sorvetes e subir nas árvores, só para depois jantar suado com cheiro de rua)

Quando vier o enjôo, eu vou estar sentado na poltrona com as pernas a balançar, por não querer pisar mais nesse chão.

Vou estar de banho tomado, em ponto, o cabelo arrumado, a roupa combinando e o olhar ronceiro com a mão esticada, porque não vou mais querer me perder por aí.


Escrito por George de Lucena à(s) 1:14 AM - Manifeste-se:
Quarta-feira, Setembro 27, 2006

Volta!
E me conta o que fizeste,
Que aviões te levaram para onde,
Que ilusões te planaram, enquanto longe...
Enquanto longe, a panela requentava
O jantar ex-almoço no fogão.

Volta!
Que a cama é solteira, mas não quer ser sozinha.
Pra falar a verdade, quando voltares te direi:
- Na falta de ti, ocupei-me de mim.

E de mim já estou farto!

Enchi também da roupa que não sai,
Do sono que não trai,
Do copo que não cai,
E do grito que só diz ai!

Ao invés dos gemidos arfados ao pé-do-ouvido...

Volta, mas chega logo.
Já passam das três e,
sabe,
é que te quero ao meu lado, quando o pesadelo acabar.


Escrito por George de Lucena à(s) 3:18 AM - Manifeste-se:
Quinta-feira, Setembro 14, 2006

Quietinho,
Embala a rede num frio,
Num vento frio.

Antes, o frio era também chuva
Com o cheiro mais verde do mundo.

Hoje, o frio é só o só

É só a rede, só
É só o vento, só...

...só, o cheiro verde secou
Antes do fogo chegar.


Escrito por George de Lucena à(s) 1:58 AM - Manifeste-se:
Terça-feira, Julho 18, 2006

Nada o interessa.

Que é do Rio e suas histórias tão fluidas quanto água de chuva correndo nas vielas pavimentadas do Centro, ou da Ipanema adolescente com cabelo vermelho e tão casta e tão beata quanto as Carmelitas de Santa Teresa; que é dos livros tão pesados de tempo e de classicismos, tanto que expatriam o exame crítico para ceder espaço ao deleite e às horas que desistem de passar para tricotar-se desavergonhadamente; que é do relógio a torturá-lo com sua inexorável vontade de despedir; que é dos companheiros que se juntam para escapar, no riso, da insuportável existência também a eles desinteressante; e o que é do seu amor, brilhante e tão distante que só se faz perceber nas cartas, do mesmo modo como se acompanha a explosão de uma supernova que de fato já se apagou.

Está em si, mais perdido e farto do que nunca. Nem sofrer pode dizer que sofre, porque, hoje em dia, o sofrimento no inverno é cafona. Vive, enviesado, a contemplar o chafurdo da madrugada no dia e da tarde na noite. Antes se orgulhava de esperar. Agora percebe, melancolicamente, que seu orgulho afundou-se há um certo tempo, em uma daquelas madrugadas, e que o que se espera, em verdade, já é.


Escrito por George de Lucena à(s) 3:02 AM - Manifeste-se: