persona non grata

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Sexta-feira, Junho 27, 2003

Junho acaba, e com ele vai-se a conversa sobre minha terrinha: o Nordeste nunca é tão Nordeste quanto nos festejos juninos. Isso deve-se especialmente a São João, o verdadeiro dono da festa. Depois de entrar para a história como o homem que batizou Jesus Cristo, São João deveria ter seu papel no Brasil como o homem que batiza o Nordeste, conferindo-lhe personalidade e deflagrando sua diversidade cultural.
A cena das fogueiras ardendo aos brilhos dos fogos só não é mais bonita do que você poder ver, a 2000 km de distância - em uma cidade maravilhosa, mas que não te prende pelos pés - um país se rendendo às comidas e danças, aos hábitos e músicas do seu povo.

Escrito por Dodico à(s) 6:15 AM - Manifeste-se a respeito:


Quinta-feira, Junho 26, 2003

Reencontro

Late, corre, abraça, abre,
Entra, senta, fala, come,
Lava, canta, seca, veste,
Deita, tenta, sonha, voa.

Chove... chove...

Escrito por Dodico à(s) 3:25 AM - Manifeste-se a respeito:


Sábado, Junho 14, 2003

O sofrimento


Sempre entendi por sofrimento a mais pura expressão da dor, ou seja, uma batida fina e forte no joelho que o joga ao chão e o faz apenas gritar, porque a dor é tão grande que não saem lágrimas dos seus olhos.
Desde o primeiro momento em que tive essa sensação até os meus idos 16 anos acreditei piamente nessa definição.
Anuncio, alardeio e, de quebra, aviso que mudei completamente os meus conceitos. Hoje sou seguro para receber o sofrer como uma nuance da alegria, aliada a uma inquietação extenuante.
Assim como a alegria, o sofrimento é um momento de perfeita sintonia consigo mesmo. Raros, nesses instantes você questiona-se, olha para si próprio e reage a isso. Assim como na alegria, o sofrimento é capaz de colocá-lo em prantos, deixá-lo histérico e fora de si. Sofrer e alegrar-se tiram-no o sono, a fome, e preenchem seus pensamentos de uma forma monopolista e exclusivista. Os dois são tão "um" que impressiona.
No entanto, a inquietação do sofrimento bebe-lhe as forças, enquanto a alegria as revigora. Não há quem resista disposto a uma noite de sofrimento, e nisso ele assemelha-se ao sexo.
Sofrer exige um banho gelado, a alegria um banho quentinho.

Constatadas diferenças, aproveito também para confessar minha compulsão por sofrer. Gosto do sentir-me exaurido, acabado por ter sofrido, mas não me acho estranho por isso.

Num pensamento de última hora, acho que todo mundo é assim. Melhor mudar tudo isso: sofrer tem mais a ver com gozar do que com sorrir. Pudera! O que se pode esperar de algo tido como la petite mort?

Escrito por Dodico à(s) 7:18 AM - Manifeste-se a respeito:


Fotolog da Júlia - Tamos com Raiva - Square Moon - Paradoxais - Nada de Novo no Front - Interlúdio

Teoria do Conceito - Fotolog da Marizinha - Kafkiano - Pequenas Misérias - Rodrigo Gurgel - Alô Houston?!