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Sexta-feira, Novembro 21, 2003
Que maravilha do descompasso!
Nesses tempos tão cheios
Minha vida acaba sendo
um diário de um relógio.
Sábado, Novembro 15, 2003
Hoje eu andei na garupa de uma bicicleta, uma Ceci, daquelas antigas.
E carreguei uma menina na garupa da mesma Ceci também. A corrente saiu duas vezes, e várias pessoas riram de nós.
Até nós.
Brincar, esse é um remédio para a infelicidade. Não jogar, que isso é corruptivo, mas brincar mesmo. Pular, correr, rir, rir muito.
Sentir-se criança, eis aí um segredo para o congelamento do tempo. Quando se sente-se criança, o minuto é aproveitado, exaurido, resfolegando suado e pendurado no bebedouro que faz fila para dar de beber. É a completa celebração do ser no lugar do pensar. Ser com todas as implicações que ocasiona e com todo o conjunto de sensações, reflexões e brincadeiras - isso sim - que traz consigo.
Ser e sentir o mundo parar para ver você sendo, ouvir o mundo curtindo a sua risada e perceber o vento sorver, em gotinhas, o seu suor de entusiasmo.
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