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Quarta-feira, Dezembro 31, 2003
A solidão é, das sensações que o homem pode sentir no mundo, uma das piores. O sentir-se sozinho, muitas vezes, chega mesmo a confundir-se com a misantropia.
Naquela noite, por exemplo, o menino sentira-se sozinho, pela primeira vez desde a viagem de seus pais há 2 semanas. Quando o Sol já caía, trancou todas as janelas da casa, apagou todas as luzes, deitou em sua cama, e, no escuro, sob o lençol, posto que o próprio escuro lhe servía como uma companhia imprestável, masturbou-se.
Quando acabou, já suado e não mais agüentando o abafado da coberta, abaixou o lençol, oferecendo o corpo nu ao quarto trancado. Após esvair-se por completo do êxtase, sentiu-se desprotegido e com medo, virou-se de bruços, e dormiu, meio como pôde.
Sexta-feira, Dezembro 26, 2003
Está chegando a data de que mais gosto em todo o ano. O Réveillon, sem qualquer espírito de renovação ou de promessas a cumprir.
É um encanto desde criança. No começo, nos idos tempos de escola, vinha junto com a expectativa de comprar uniforme novo, material escolar e conhecer os colegas novos. Por toda a adolescência, era a expectativa das férias que já se faziam cheirar, do veraneio na praia com muita gente conhecida junto.
É um encanto menos sublime, e até mesmo material, eu sei. Acho que, de alguma forma, tem a ver com meus problemas com o passar do tempo. O Réveillon é o único momento em que se comemora um fim, mas só porque se sabe que um começo vem logo ali.
Minha primeira música com Chico, um samba-canção de improviso (cada um cantava uma frase):
Tudo que eu fiz,
Foi por amor, tudo que eu fiz... (2x)
Então meu amor,
Me ouça um instante, um segundo,
Porque meu amor,
Sem você eu me perco no mundo.
Então meu amor, por favor...
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É bobinha, mas tem sonoridade (desculpas...).
Terça-feira, Dezembro 23, 2003
Faz um ano que comecei a escrever aqui. Não exatamente, porque foi no dia de Natal.
Depois deste ano, gostaria de agradecer às pessoas que me visitaram freqüentemente, às que vieram ocasionalmente, às que me incentivaram a continuar escrevendo e, sobretudo, às que comentaram, pois é isso que estimula.
Valeu galera,
Feliz Natal a todos.
Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
Já não sei mais se eu vi, ou se foi pura ilusão:
Vi o seu amor chegar e se encostar em meu colchão.
Vi abrindo portas, ouvi batendo o portão,
Vi suas roupas em meu armário e o seu sapato no chão.
Já não sei mais o que quero, se é o sonho ou acordar
Se é ver você partir, mas à noite esperá-la voltar:
Sentir o seu rosto no meu peito, fazer sua perna arrepiar
Tê-la em casa, ao meu lado, ou esperar você telefonar.
Já nem quero saber do que eu penso: quero é o toque da sua mão,
Ver o seu amor pulsar e se espalhar em meu colchão.
Tremer todas as portas, derrubar esse portão,
Rasgar as nossas roupas e, cansado, dormir no chão
E o partir seria o sono, e o voltar o acordar
O seu rosto: a minha prece; a sua perna: o meu jantar.
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