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Quarta-feira, Março 24, 2004
Canção de Despedida
Tento imergir em mim
Para saber o que se passa em meu coração
Partir pro fim, enfim,
Cansei de vez desse sufoco da solidão
Não quero mais saber
Já perco as contas do que fiz para esquecer
O que me fez sofrer.
Prefiro assim a mais uma vez não ter você.
Quero um pouco de paz
Ter-me de volta, que estar contigo foi em vão.
Despeço-me do tempo, aceno à razão
Praparo-me para o que insisto em apressar:
Abro lentamente as cortinas
Deixo respirar o que tão logo expira
Aumento a música que é para não ouví-la
Gritar o seu grito sem dor.
. . .
Embala-me só agora
Mas o corpo morto que desprezou nem mais é meu
A luz que um dia a amou, arrefeceu
Não adianta se entregar pra quem não pode mais te ver.
E vou sem dar explicação
Porque não quero falsos choros ou lamentos
O que mais quero é o seu esquecimento
Pois se hoje morro, é de gostar do seu amor.
Segunda-feira, Março 22, 2004
Tento, sóbrio, encontrar
O que perdi, pois senti, quando se foi
O que nem vi, pois dormi, pra não entender
Procuro hoje, pois não mais vivo, onde está.
Aonde foi o meu carinho, aonde foi?
Cadê os pratos e as mesas e o coração
Dos sussurros, das palavras, não sei mais
Não sinto mais aquele olhar e aquelas mãos
Reluto em perceber, ao chão, descalço,
E faço da minha busca oração
"Passa-me um pouco do teu corpo,
Dispôe-te um pouco com atenção"
O amor só não resiste quando o outro
Esconde o desejo em paixão
Todo fulgor da juventude se esvai
Mas te apraz minha obstinação
Já o encanto é cansaço
E é carpida qualquer jura de amor.
Já o meu peito é exausto,
Já tua voz me soam gritos, já teu nome rima com dor.
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