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Quarta-feira, Abril 28, 2004
Quando parti, nem pude ver. As lágrimas que encheram-me os olhos, encheram-me também de dor, pois, na partida, tua imagem distante e pequena era o que eu mais queria como lembrança.
Ainda sinto os dedos perderem-se, para nunca mais se encontrarem. A mão levada, o amor seqüestrado, teu adeus embalado e chacoalhado.
Brigo com meus olhos por privarem-me dos meus sonhos
Sábado, Abril 24, 2004
Esse texto eu fiz antes de ir para Natal, mas só pude publicar agora.
Espero por abril como quem espera por uma vida. Não por outra, mas pela minha. Porque minhas eram as acácias, e meus eram os jardins. Meu era o barro da rua, a cachorra magra que, de velha, late fraquinho, as paredes brancas que se escalava como se se escalasse o mundo.
Desejo o vento da varanda como quem deseja a felicidade. Não a futura, mas a que já tive. Porque já ri com os brinquedos, e já ri com o cinturão que me lascava as costas. Já ri com o banho de mangueira, com a brincadeira com os vizinhos.
Emociono-me é com meu tempo, que parece que já foi. Quando pequeno achava que só as pessoas envelheciam, mas hoje vejo que tudo fica, de uma certa forma, um pouco mais amarelado.
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