|
|
Terça-feira, Junho 22, 2004
Desejo a minha entrega com meu amor e rosto de menino. Desejo o desvario amplo, dos que cabem em nosso beijo. Quero é que faltem olhos, se te olhar for todo o meu problema; quero o fim do meu poema, o termo dos tolos, a vontade de ter medo.
De ti não desejo nada: tenho-te já num pronto. O que me falta - o que maltrata é que me tenho tanto - é dar-me para ti, pois sou inteiramente teu.
Sábado, Junho 19, 2004
Meu lar (fragmento)
E quando estou sozinho
Saio da onda e ando pela praia
Escrevo seu nome em cores claras
Já que o verão está chegando
E quem sabe se o nosso amor
Resistiria ao sol
Se a lembrança do inverno
Ainda não é apenas lembrança
E quando estou sozinho
Entrego-me aos meus caprichos
Experimento o proibido
E gozo em uma maçã
Apago as minhas feridas
E esfolo o sofrimento
Mas aí já está tarde
E eu de tão covarde
Tenho medo de dormir
Terça-feira, Junho 15, 2004
Gravitação em torno do seu nome. Quando tudo parece oscilar para a estabilidade, o corpo já perambula para a placidez, as mãos titubeiam até para um leve aceno, quando a tristeza se espairece com o costume e a conformidade toma seu lugar junto a mim, só nesse quando seu nome inquieta.
É a confusão reclamando seu ofício, eu sei. O lençol grita pelo enrolo e o colchão pelo peso, mas só o meu; a música enternece com a saudade e a caneta desconsolada se ajusta como pode sobre a mesa. Daí que tento me conformar que não é você, não vem de você a vaga, sua brincadeira que transtorna a alma, às vezes, é só descompromisso. Daí que penso que culpa, por culpa, ninguém tem, mas é que, se se inquieta com seus assuntos, calho de me perturbar com você.
Daí que seu nome, que tanto gosto, execro; daí que sua imagem, em que tanto penso, repudio; e é por isso que falar em você vira sufoco. Ruim é que não consigo evitá-lo, mas essa confusão anda me saindo uma companhia, no mínimo, inconveniente.
|
|
|