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Quinta-feira, Abril 28, 2005
Lá não havia pombos
Puseram-se na cova, de uma vez,
As praças, as calças, o frio,
E uma certa esperança de melancolia,
Tudo num mesmo jazigo, esculpindo no mármore
"Assim se vai o sentimento e a vontade de se ser poeta"
Isso sem que a poesia precisasse dos pombos.
De toda forma, ao julho sempre faltou a rima
(Ou talvez a rima pareceu por se recolher, esperando pelo julho -
Em uma carta por debaixo,
No abrir desconsolado,
No acender despropositado,
No jeito frustrado, calado, diacho!: dizia um não,...)
É que se fazia quente,
Que se fazia tumultuado, curto, mesmo indecente,
Que se fazia alegre por demais.
Alcunhavam-no de lírico por cantar os sabiás,
os rouxinóis, ou outros bichos cadenciados.
Mal sabiam! ou sabiam demais e o faziam em mexerico.
A verdade é que em nada adiantava todo esse lirismo
Se por lá não houvesse pombos de que se pudesse falar.
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