|
|
Quarta-feira, Agosto 31, 2005
Tudo bem, posto que tímido, introspectivo e taciturno o tanto que fosse, até onde se sabia, era dado aos banhos. Foi que lá por casa a tal da assepsia estava ao mesmo nível da obrigação de se tomar sopa antes da janta, e os meninos sempre cresceram nesse regime, sem nunca reclamar por outro lar.
Pois bem que um dia ele e a mudez entraram a gritar amiúde que não dava mais, desse jeito só os bambas e a revolta é a dor que não se contém e que batuca té que explode. Saíram às ruas.
A mãe ficava de banda com essa mania mais troncha, nunca viu de bezerro dar pra gralhar de hora pra outra! Diziam que era da idade, mas, se bem se lembrava, por esses tempos ela já usava até anel...
De um jeito ou de outro, ficasse assim, faz-se o quê?, se filho é filho.
Deu nem dois anos apareceu em casa trocando as pernas. Empurrou o pai e bateu a porta, deixa dormir que só passa com o sono.
Dia seguinte a mãe se impacientou e foi chamar. Teria gritado se o cheiro não a tivesse feito vomitar, de um pronto, o menino, mais mudo do que nunca, caído ao chão, envolto em fezes.
A cena a todos desesperava, chorando sempre tão amarguradamente, sempre tão escandalosamente, tão penosamente e com tantos aimeudeus. A mãe, por dentro, por outro lado, suspirava, não por desafeição, é que sempre foi de causar-lhe espécie toda aquela história de transgressão.
E a tia, atrás, braços cruzados, professando:
- Bem dizia que estava tudo uma merda.
Quinta-feira, Agosto 18, 2005
Inocência
Levantava as calças, remexia o cabelo, moleque com o olhar que se dizia ingênuo, mas era ansioso, antes pelo sorriso, ora pela pupila que se abria em bocarra sussurrando que era eu, e eu era tudo isso, matreiro que sou. Que dó! ...quietinho. Desciam as calças, suava o cabelo, lânguido com o olhar que se dizia extasiado, mas era esperançoso, antes pelo repor, ora pelo abraço que se desfazia em cordame sufocando que somente eu, e eu merecia tudo isso, abençoado que sou. Tão só!
|
|
|