persona non grata

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Sexta-feira, Outubro 21, 2005

Causos do mundo moderno

Havia, em certas bandas, um macaco bicho matreiro. Pêlo enrolado, olho baixo, de certo maconheiro, boca já aprumada prum riso frouxo.

Apois, o tal macaco dizia que não comia banana, porra é de potássio com letra de gringo! Caba de peia era aquele que preferia caju, causa que da vitamina, esse sim é fruta de brasileiro.

Escrito por Dodico à(s) 4:14 AM - Manifeste-se a respeito:


Terça-feira, Outubro 04, 2005

Aquieta-se a imensidão. De fora todo o resto, naquele soluço que é engasgo e que pausa, envergonhadamente, a conversa, em uma desculpa engolfada de acinte aos bons costumes; naquele tropeço bronco que faz voltar o rosto a admoestar o chão traiçoeiro; na espera ansiosa pela luz que, mais do que iluminar, confere às coisas o seu jeito de coisas; em toda essa suspensão de vitalidade, agida por algum titeriteiro em horário de lanche, aí está a imensidão mansa, calminha como uma crinça sentada em um tamborete às cinco da tarde no aguardo da mãe que vai já, só acabar o café.

A vida, alheia à simples vontade, acaba, invariavelmente, porque invariáveis são as formas com que tudo se acaba, por se erigir em um balaio lotado de agruras que têm por fim o eterno sapecar em nossos rostos que o azedume do limão, aquele que se coloca em toda comida, tanto tem de ruim para a língua e para o estômago, quanto tem de mal para a pele, quando exposta ao sol. São os ditos e tantos dissabores, de bem que a mim cai melhor ter o sabor, esse sim, por dissabor, eis que certo é que mais se apanha do que se recebe beijos nesta vida.

E tão, então, que tanta atribulação um dia arpeja. Os Exus, já acostumados a agoniar o juízo dos outros, cansam do aperreio e resolvem descansar, dizem que nos tempos em que a água de coco não está lá essas coisas. E aí, é igual quando a arrebentação passa e o olho ainda salgado lacrimeja aquele mar enorme e bem horizontalzinho, quando o avião sobe e, turbulento, arruma-se acima das nuvens, como que a roçar um tapete de algodão fofo com o pé que sai aliviado de um expediente inteiro de trabalho, igual a esses e a outros enfins. Nisso tudo, percebe-se que atabalhoação era só percurso, que o azedo era tira-gosto, e que tudo quanto é, a despeito do que pretenda demonstrar, é plácido, sereno, lúcido e lúdico, como se estivesse em uma cara colônia de férias todo o marasmo do mundo.

Escrito por Dodico à(s) 2:41 AM - Manifeste-se a respeito:


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