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Terça-feira, Julho 18, 2006
Nada o interessa.
Que é do Rio e suas histórias tão fluidas quanto água de chuva correndo nas vielas pavimentadas do Centro, ou da Ipanema adolescente com cabelo vermelho e tão casta e tão beata quanto as Carmelitas de Santa Teresa; que é dos livros tão pesados de tempo e de classicismos, tanto que expatriam o exame crítico para ceder espaço ao deleite e às horas que desistem de passar para tricotar-se desavergonhadamente; que é do relógio a torturá-lo com sua inexorável vontade de despedir; que é dos companheiros que se juntam para escapar, no riso, da insuportável existência também a eles desinteressante; e o que é do seu amor, brilhante e tão distante que só se faz perceber nas cartas, do mesmo modo como se acompanha a explosão de uma supernova que de fato já se apagou.
Está em si, mais perdido e farto do que nunca. Nem sofrer pode dizer que sofre, porque, hoje em dia, o sofrimento no inverno é cafona. Vive, enviesado, a contemplar o chafurdo da madrugada no dia e da tarde na noite. Antes se orgulhava de esperar. Agora percebe, melancolicamente, que seu orgulho afundou-se há um certo tempo, em uma daquelas madrugadas, e que o que se espera, em verdade, já é.
Quinta-feira, Julho 13, 2006
Inquieto, o peito sonha
O sono nu.
Noite tarda e o corpo paira:
As horas da praça são horas-solidão.
Passa ao longe, orquestrando o meu desconserto.
Cada pedra da praça sente comigo,
Treme comigo,
E pisa comigo em seus passos, maestro!
Os passos - inda firmes lembrarão.
O lixeiro varre cantos, no centro da praça,
como se adiantasse alguma coisa.
Enquanto for noite, os cantos continuarão sujos
E de manhã os pombos vêm dar à praça o ar de praça.
Eu varro olhares, pelos meios e pelos cantos.
Espero na praça como quem tem tempo a perder.
Só o tempo não fugiu de mim
Quanto tudo esfriou.
No frio, o que mais faz falta
É o futuro em forma de papel.
Os desenhos já eram as praças
Mas ainda não havia ninguém sentado naqueles bancos.
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