|
|
Segunda-feira, Novembro 13, 2006
Ô, menina danada do vestido sujo! Ora retorno...
Cheguei pelos traçados desguedelhados
Que desenhaste com giz e que o tempo mal borrou.
Cheguei pela amarelinha de céu que nunca chega:
Tantas pedras colocaste em teu caminho!
Vim por teu abraço enfulijado,
E pelas turbamultas de teus laços em fita.
Vim por teu sorriso desmaiado,
Pelo teu viço morno, teu contentamento frouxo, tua tristeza em mar.
Encontrei-te quietinha, minha menina já velha.
Lembras de mim?
Eu sou aquele que te deixou, no dia em que tentaste me abraçar.
Chega de fusões confusas!
Eis aqui meu alarido enfastiado:
Minha toalha de juta largada, suja, escarnecida, jogada junto ao ofego rouco de tanto gritar por atenção.
Agora torço por um esperar por vir e por aquele enjôo bom que enrota o lençol numa noite de sonho sem sono.
Quero dos mais limpos o canto
e quero a seda quente do calor de um só corpo.
Quero uma saudade sem tesão.
Quero querer um castelo, para escrever sobre ele e falar sobre ele e beber sobre ele e dormir sobre ele, de tão cansado! (mas não do castelo - é que, no castelo, levar-me-ão numa garupa para tomar dos sorvetes e subir nas árvores, só para depois jantar suado com cheiro de rua)
Quando vier o enjôo, eu vou estar sentado na poltrona com as pernas a balançar, por não querer pisar mais nesse chão.
Vou estar de banho tomado, em ponto, o cabelo arrumado, a roupa combinando e o olhar ronceiro com a mão esticada, porque não vou mais querer me perder por aí.
|
|
|