persona non grata



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Segunda-feira, Dezembro 25, 2006

Na noite de ontem, o céu esbranquiçou,
E as igrejas badalaram os sinos das duas às quatro da manhã.
Um menino, na rua de cima, correu pelado, antes que o céu se apagasse, mesmo com toda a friagem e com todo o sereno.

Na noite de ontem, os cachorros miaram,
E as moças, que eram moças, todas perfumadas saíram atrás de homem.
Diz que um carro, que corria apressado, parou, como quem olhava para o mar.

O dono de uma bodega entoou uma oração,
E a música rancheira descambou no trance pesado.
A mulher do vizinho, senhora séria, gozou pela primeira vez - a vizinhança inteira ouviu seu orgasmo menárquico.
(As vacas até resolveriam fugir por aí,
Mas é que, mesmo na noite de ontem, os capins eram mais capins do que nunca)

Disso tudo se sabe porque o povo contou.

Já eu,
eu dormia, ao seu resbunar,
Num sonho bem sonho,
E numa noite bem ontem dali.


Escrito por George de Lucena à(s) 7:02 AM - Manifeste-se: