|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
| Sábado, Março 24, 2007
Saibam que a ânsia que sinto ao ver os sorrisos estampados nas propagandas é a de quem espera a vida inteira pela fotografia mais bela. Sei que tudo são porta-retratos de uma existência estática, capturada por imagens instantâneas e lá aprisionada por todo o tempo que durar a tinta.
(Não sei ainda, por outro lado, a quem serve o prazer não compartilhado: a embriaguez solitária é tragédia, a punheta é doença, o cigarro é o vício e o ócio, a degeneração. Não sei a quem serve o tempo apressado, o momento engolido, o futuro empacotado em carta registrada para não se perder no caminho. Não sei, enfim, o que comprarei com o dinheiro que terei aos quarenta, mas me esforço, todo dia, para entender que nisso residirá minha felicidade)
Os velhos, por si, sorriem com as caras mais carrancudas do mundo, porque o riso há tempos perdeu-se nos primeiros quadros. Eles já perceberam para quem se vive. Eu, por mim, tento, cada vez mais, não me convencer.
|
| |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
| Quinta-feira, Março 01, 2007
Quanto da espera é estupidez;
Quanto me embriaguei na altivez de tanto encanto,
Aguardando acalantos nunca embalados,
Tragando pinturas em quadros, desenhadas para um outro, que não eu.
Quanto da palavra foi desperdiçada;
Quanto me cativei do sorriso sonso, de tão manhoso,
Sufocando o descontentamento mudo,
Ludibriando em ilusões vermelhas, aspergidas displiscentemente, certo em mim, que não creio em Deus.
Quanto da perda foi insistência;
Quanto do desgosto foi só meu capricho,
Alteando fogueteios pálidos,
Trepidando flâmulas fendidas, esgarças: homenagem caduca a uma inquietação mais do que moça.
Ora me perco nas horas,
E quanto das horas perdi em revelar-me,
Como quem espera, mais do que só, o remorso de tanta obstinação?
|
| |
|
|
|
|
|
|
|
|
|