| Terça-feira, Maio 19, 2009
Escorro cada vez mais por entre os meus próprios dedos.
Antes, eu julgava inocentemente que o escrever-me prenderia em mim o que eu mesmo não faço por não ter coragem ou viço para tanto.
Hoje eu desespero.
Não tenho sequer uma caneta, um pedaço de papel, qualquer nesga de suporte que oriente o que já é insustentável;
cansei de procurar nos quartos, nas casas em que estive, nos livros que eu li quando ainda não imaginava que não me teria mais por mim.
Os outros, esses já não mais encaro -
Tenho medo só de conceber que alguém saiba o que não tenho a menor vontade de admitir.
De tudo em pouco que me sobra, sorvo somente à mostra;
Guardo todo o resto para o depois do fim.
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